Produção textual
| Site: | IFSC |
| Curso: | 2025.1 - PRÁTICA TEXTUAL - Turma 01 |
| Livro: | Produção textual |
| Impresso por: | |
| Data: | Wednesday, 4 Mar 2026, 20:11 |
Dificuldades da escrita
Escrever não é tarefa fácil para ninguém! Acredite! Os mais renomados escritores contam sobre as dificuldades do processo de escrita. Isso mesmo: processo. Um texto escrito não sai assim perfeito em uma primeira versão, por mais que a gente tenha muita experiência e esteja acostumado a escrever. Eu mesma, escrevendo este pequeno texto para vocês, já li, reli, apaguei algumas coisas, acrescentei outras... E ainda estou aqui pensando em como deixar este texto melhor. É claro que quanto mais a gente escreve, mais prática adquire e mais rápido se torna esse processo. Então, se você está aí pensando nas suas dificuldades, lembre-se que você não está sozinho(a). Veja o texto abaixo, do escritor consagrado, Graciliano Ramos, que descreve, de modo poético, todo o trabalho que dá a escrita, mostrando que se tratam de etapas que ilustram mesmo um processo.

As partes do texto
Meu objetivo é que você compreenda que a escrita tem várias etapas: você faz, refaz, arruma, faz novamente, até achar que o texto está bom, portanto, não é um processo fácil. A gente poderia conversar muito sobre isso, mas pensando no nosso curso, no prazo que temos, acredito que seria útil conversarmos sobre as partes que compõem um texto: introdução, desenvolvimento e conclusão. Trata-se de uma organização em partes, mas que resulta em um todo significativo, cumprindo um certo objetivo em uma dada situação. Além disso, essa estrutura é adequada para quase todos os tipos de gêneros discursivos/textuais. Espero que você aproveite e use!
Gêneros discursivos/textuais
Os gêneros discursivos/textuais (para nós não importa usar uma ou outra nomenclatura, seu uso depende da teoria adotada pelo pesquisador/professor) são fundamentais no processo de produção de textos, porque são eles que definem a forma que o texto vai assumir.
Todos os textos são organizados em gêneros, seja uma conversa informal ou uma tese de doutorado, seja linguagem oral ou escrita. Os gêneros são, portanto, formas de enunciados produzidas historicamente, que se encontram disponíveis na cultura, tais como: notícia, reportagem, conto (literário, popular, maravilhoso, de fadas, de aventuras…), romance, anúncio, receita médica, receita culinária, tese, monografia, fábula, crônica, cordel, poema, repente, relatório, seminário, palestra, conferência, verbete, parlenda, adivinha, cantiga, anúncio, panfleto, sermão, entre outros.
Assim, não é qualquer gênero que serve para se dizer qualquer coisa, em qualquer situação comunicativa. Por isso, é preciso saber selecionar o gênero para organizar um discurso, o que implica conhecer suas características, avaliar a sua adequação aos objetivos desejados e onde o texto irá circular, por exemplo. Quanto mais se sabe sobre o gênero a ser utilizado, maiores são as possibilidades do discurso ser eficaz.

Fonte da imagem: <https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g303576-d1737809-i231744052-Bar_do_Arante-Florianopolis_State_of_Santa_Catarina.html>
Texto baseado na referência:
BRÄKLING, Kátia Lomba. Gêneros do discurso e produção de textos. Educa rede. Disponível em:<https://www.aberta.org.br/educarede/2013/05/21/generos-do-discurso-e-producao-de-textos-ensino-medio/>.
Introdução
Independente do gênero discursivo/textual, a introdução deve apresentar ao leitor o assunto a ser desenvolvido. A introdução é uma espécie de roteiro do seu texto, ela indica o caminho que o leitor vai percorrer. É a primeira impressão do texto, por isso, tanto pode despertar no leitor a vontade de continuar a leitura quanto pode fazê-lo abandonar o texto.
A introdução não deve ser longa e deve abordar somente o que você vai tratar ao longo do texto. Cuidado para não escrever um tema na introdução e falar de outra coisa ao longo do texto, acontecer isso é mais comum do que você imagina! Muitas pessoas preferem escrever a introdução por último, mas, a meu ver, ela te dá o direcionamento para desenvolver o tema.
O segredo para começar a escrever é um bom planejamento. Você pode fazer alguns tópicos e anotações em rascunho. Lembre-se que a escrita é um processo, e o rascunho é parte dele. Fique atento(a) também para não fazer sempre o mesmo modelo de introdução, procure variar. O caminho é praticar sempre!
Desenvolvimento
O desenvolvimento é o corpo do texto. É aqui que você vai responder todas as propostas que fez na introdução, separar seu tema em partes e detalhar cada uma delas.
Nessa etapa conta muito o gênero ao qual o texto pertence, se for uma dissertação ou um artigo de opinião, será necessário usar recursos argumentativos, se for uma notícia é preciso usar o lide (como, onde, quando, por que, com quem aconteceu determinado fato), se for um texto acadêmico certamente incluirá uma fundamentação teórica. Enfim, o desenvolvimento depende da estrutura do texto e de seu objetivo.
Procure separar os assuntos por parágrafos e evite repetições, tanto de ideias quanto de palavras ou expressões. Tente escrever de modo simples, quanto mais você complica, mais palavras rebuscadas usa, mais difícil será de ser compreendido. E não se engane, não é fácil ser simples e objetivo.
Vale a pena repetir: faça rascunhos, anotações, planeje!
Conclusão
Esse é o momento do fechamento do texto! Do mesmo modo que a introdução seduz o leitor a continuar, a conclusão traz a sensação de satisfação com o texto lido.
A conclusão não é o lugar de trazer novas propostas ou surpreender o leitor com novos assuntos. O que a conclusão traz de novidade é a forma inovadora com que você pode finalizar uma discussão. Você pode até retomar alguns pontos debatidos, mas evite apenas repeti-los. Tente fazer uma análise crítica do tema, fazer sugestões, propor soluções para questões discutidas ou fazer advertências, por exemplo. Seja criativo!
Novamente lembrando, que só se consegue uma boa conclusão se houver planejamento, se foi seguida uma sequência lógica de apresentação das informações em parágrafos bem estruturados. Se não for assim, o texto pode ficar confuso e incoerente, não trazendo ao leitor a reflexão do tema proposto.

